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Editori@l Mais formação: o oásis em jornalismo científico

A Ciência nos meios de comunicação social e a formação dos jornalistas em Portugal

É uma oportunidade fantástica poder reportar factos relativos ao universo científico, em Portugal e no mundo. O jornalismo na sua ímpar versatilidade tem essa vantagem de aprendizagem e transmissão de informação nas mais diversas áreas, e em particular, na da ciência, qual território muitas vezes hermético, pouco acessível, pela sua semiótica, linguagem e comunicação do seu método científico.

Capas Editorial DG 2016

Créditos da fotografia: Daniela Gonçalves

Os esforços na comunicação por parte dos cientistas e jornalistas têm sido, no entanto, acrescidos, nos últimos anos, mesmo que haja “arestas a limar”: aproximação de linguagens, para um melhor esclarecimento do público. A empatia comunicacional entre jornalistas e cientistas pretende-se melhor e mais eficaz, todavia há um aspeto que, na minha ótica, enquanto jornalista especializada em jornalismo em Medicina e Saúde, gostaria de destacar: a formação dos jornalistas para melhor investigarem e tratarem os temas da Ciência. Se é bem verdade que as ciências são inúmeras, também é inegável que na diversidade da sua linguagem, objetos de estudo e relações conceptuais, algo as une e que interessa aos jornalistas conhecer: trata-se do método científico. Por exemplo, os tipos de amostras podem ser representativos do universo ou não, e apenas darem origem a resultados exploratórios, para futuras investigações e não gerarem resultados “definitivos”… Saber o que é um grupo de controlo…, margens de erro… (enfim)… Porque razão é importante saber estes dados? Para melhor entender os factos a noticiar e os divulgar melhor. Pese embora, a existência de diversas ciências, creio que todas têm em comum a aplicação do método científico. Por tudo isto, creio que os jornalistas devem conhecer as fases do método científico, para melhor reportarem resultados preliminares de estudos, ensaios ou outras investigações. A compreensão desses meandros é fundamental para a sua formação em Ciência, ou melhor em Ciências. 

Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Créditos da Fotografia: Daniela Gonçalves

Se os jornalistas têm a ganhar sendo versáteis e tratando várias secções, também é verdade que lucram em terem preparação resultante de cursos que possam ir fazendo, nem que sejam simples workshops leccionados por cientistas e dirigidos ao público, em geral, nos museus de Ciência ou Centros Ciência Viva. Isto porque, mesmo que a interacção entre cientistas e jornalistas seja mais frequente e produtiva, haverá sempre necessidade de alguma preparação prévia dos jornalistas para melhor entenderem o mundo mental dos cientistas, de forma a melhor informarem o público. Se um jornalista estiver minimamente preparado, poderá colocar questões mais pertinentes. Consequentemente, mais informação poderá ser tratada e mais celeremente por parte dos jornalistas e com menos imprecisões. Meta crucial e um “oásis”, numa sociedade de informação, como a atual. Discordo, assim, do “argumento” usado por alguns profissionais que apregoa que os ritmos frenéticos da rotina jornalística não se conciliam com a preparação mais detalhada e prévia de pressupostos de trabalhos a realizar… Os jornalistas poderão fazer sempre algo melhor, pois regra geral, têm boas capacidades intelectuais e um desejo sem fim de chegar a todos. 

Daniela Gonçalves
Coordenadora
Saber Viver Lisboa TV

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